No
mundo do trabalho muitas coisas são produzidas,
bens de consumo e serviços necessários
à manutenção de nossa sociedade...Em
meio a este processo são produzidas também
situações absurdas, onde direitos
de trabalhadores são violados: direito à
saúde e a uma vida digna.
Os trabalhadores são vistos como uma peça
da engrenagem, que após danificada pode ser
descartada e substituída.
Assim, geralmente sem saber, o trabalhador troca
sua saúde pelo trabalho...até que
já não possa mais...até que
já não seja aceito, até que
não consiga mais suportar”...
O que é ser portador de LER?
Em primeiro lugar é conviver com a dor, com
limitações físicas...sentir-se
deprimido, frágil, inseguro...
É conviver com uma dor que cresce, que parece
um bichinho corroendo por dentro. É sentir
um peso no braço...sentir que o braço
já não faz mais parte do seu corpo.
É chegar a desejar que ele já não
faça parte mesmo...
É ter os movimentos rígidos, não
conseguir dormir direito...pois a dor não
passa nunca...
Se entupir de antiinflamatórios, antidepressivos...mil
fisioterapias e procurar qualquer alternativa que
possa aliviar...
É ver muitas vezes os laços mais íntimos
se desfazerem, e então, perder duplamente...
É também conviver com o medo do desemprego...
Porque a nós trabalhadores só resta
sobreviver: todos os dias ir para a empresa esperando,
ao final do mês, receber o salário
para se alimentar, morar, vestir, enfim ir vivendo...
Acreditamos que, se obedecermos a todas as ordens,
pedidos de mais e mais produção e
fazermos horas extras, nossas chefias terão
uma boa imagem de nós, de que somos bons
colaboradores...indispensáveis.
Assim, nos fazem pensar que não estaremos
na próxima lista dos demitidos, o que é
o maior medo de qualquer trabalhador.
O fato é que muitos trabalhadores estão
perdendo sua juventude e saúde no trabalho,
por causa da LER, mas, por terem medo da demissão
e de todo preconceito relacionado a esta doença,
continuam trabalhando mesmo com dor.
Isto porque o trabalho é fundamental, e não
estar trabalhando é desesperador...
E, estar afastado do trabalho e ainda por cima estar
doente é muito mais complicado...pois além
de estarmos incapacitados, sofremos o preconceito
das pessoas, inclusive de alguns médicos
e profissionais da saúde, que não
reconhecem a doença, que acham que fazemos
fita, duvidam da nossos motivos e da nossa incapacidade
para o trabalho, colocando a prova nosso caráter,
nossa honestidade... são pessoas que deveriam
cuidar da gente, mas que, ao invés de aceitarem
as verdadeiras causas da LER preferem defender os
interesses dos poderosos...
É...ser portador de LER é conviver
com a discriminação...
Com a dor do não reconhecimento da doença,
com a dor do desrespeito. É ver pessoas,
que por saberem tão pouco, ficam com receio
de se aproximar, pois acham que a LER é contagiosa!
Talvez o que elas sintam, lá no seu íntimo,
seja o medo de saber a verdade: que isso pode acontecer
com elas a qualquer momento...
Apesar de tudo isto, nós, dos Grupos de Ação
Solidária, acreditamos que UM MUNDO SEM
LER É POSSÍVEL...
Por isto estamos aqui, apesar de nossa dor...para
unir forças e pensamentos na esperança
de mudar algo, principalmente e primeiramente dentro
de cada coração e mente humanos...
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